19 outubro 2014

Tão grossa que chega a ser engraçado!




Lá estava eu entrando em uma loja de roupas para crianças, munida de uma sandália para troca.
A mesma era um presente carinhoso que minha filha havia ganhado e, apesar de linda, mostrou-se desconfortável.

Logo avisto uma vendedora e digo:

- Bom dia Moça, vim fazer uma troca, a sandália é meio desconfortável.

A vendedora (que não estava em um bom dia, como eu havia desejado) dispara:

- A sandália não é desconfortável, a SUA filha achou a sandália desconfortável.

Tentei entender aquela grosseria gratuita. TPM, Bad hair day, sei lá!

Recomecei do zero. Vamos tentar de novo.

- Gostaria de ver outro modelo, por favor.

A vendedora saiu e retornou com outros dois calçados, bem parecidos com  o anterior em termos de conforto. Nada contra sapato duro e com cara de adulto, mas minha filha é do tipo "leve a vida simplesmente".

- Acho que não vai rolar - eu disse - posso ver uma roupa na troca?

A mulher me olhou de cima  a baixo e deu de ombros:

- Você quem sabe, estou aqui para te atender.

Cruiscredojesuisoqueéisso?

Respira, Vanessa, respira. Grosseria com grosseria não leva a nada.

- Pode ser, obrigada - continuei,

A vendedora então reapareceu com roupas no tamanho 4. Minha filha usa 6.

Agradeci e observei que precisava de roupas em um tamanho maior. 

A mesma olhou para a Lulu e, apontando o dedo, disse:

- Mas aí as roupas vão ficar largas, como as que ela está usando!

Choquei-chocada-chocante! Cadê o tato da muié?

Eu, com toda a educação que meus pais me deram e toda a paciência que os céus podem me conceder, expliquei que as roupas não estavam  tão largas assim. Que culpa minha filha tem de ser comprida e magrela? As tamanho 4 ficavam apertadas na cintura e curtas nas pernas. 

Pedi gentilmente que ela providenciasse roupas no tamanho 6. 

Ela voltou com dois modelos de roupa, maravilhosas, mas arrumadas demais, do tipo "tem casamento hoje". Normalmente uso algo mais molinho na Lulu. Com certeza aproveitaria pouco os trajes que ela trouxe. Perguntei se não teriam conjuntinhos de malha, algo bonito, mas mais confortável, para o dia-a-dia.

Foi quando a vendedora me olhou profundamente, com as sobrancelhas arqueadas e sentenciou:

- É filha única, né?

Mo-rri! 

- Sim, querida, é filha única, obrigada por perguntar. Agora por favor pode buscar os tais conjuntos para eu escolher um e ir embora?

Juro que a resposta que eu tinha pensado era mais %$#@@#$$%% do que o que falei.

Ela então apareceu com um conjuntinho laranja, fofo, confortável e lindo, um mimo, bem do jeito da Lulu. E tamanho 6. Perfeito!

Agradeci e a vendedora pela primeira vez sorriu.

Acho que o nível hormonal voltou ao normal. 

O bom disso tudo é que essa história já rendeu muitas risadas na família, com as amigas...Eu mesma me pego rindo do que aconteceu. 

Tão grossa que chega a ser engraçado!











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